História

Em 1782, o fidalgo português Inácio Xavier Luiz, natural da Ilha do Faial, Arquipélago dos Açores, proveniente de Araçariguama, instalou-se com numerosa família à margem esquerda do Rio Apiaí-Guaçu, tendo o mesmo recebido do Reino Carta de Sesmaria das terras adjacentes. Joaquina Belina de Barros, neta do sesmeiro, doou em 1885, uma área para a construção da primeira capela, cujo orago foi São Rafael,que não seria o padroeiro, pois na época o povo já era devoto de São Roque. Ainda por volta de 1885, foi construída a primeira Igreja de São Roque, atual Santo Padroeiro, sendo seus construtores José Antônio de Barros (alcunhado Juca Luiz), Deodoro Pires Barbosa e José Vieira dos Santos.

Por ocasião da Proclamação da República ( 15 de novembro de 1889 ) o povoado era ponto de parada obrigatória e pousadas de tropeiros que vinham do Rio Grande do Sul, demandando as feiras de animais, principalmente muares, em Sorocaba.

Em 18 de novembro de 1895, o local recebeu o nome de Porto do Apiaí. No Porto do Apiaí, a travessia do Rio Apiaí-Guaçu era feita a nado ou de canoas, mais tarde por balsa e muito tempo depois foi construída a primeira ponte de madeira.

A construção da primeira serraria do Porto do Apiaí, em 1900, foi obra do imigrante italiano Mário Rebbora Pezzoni, natural de Milano, aportado no Brasil em 1 de março de 1887, com quinze anos de idade. Proveniente de Tietê chegou ao Porto do Apiaí no ano de 1897.

Tal serraria foi instalada na margem esquerda do Apiaí-Guaçu próximo ao primeiro cemitério da povoação (esse local fica nas proximidades da atual ponte da estrada de ferro). Na época pela precariedade das estradas, grande parte das toras de madeiras nativas cortadas a montante do povoado eram transportadas por águas a reboque de canoas, justificando assim a instalação da serraria logo nas barrancas do rio. Em 1902, o empreendimento foi vendido para Geraldino Paiva. O nome Buri, só veio em 20 de novembro de 1907 (Lei estadual 1101/07) com a criação do distrito de Buri ainda pertencente ao município de Faxina (atual Itapeva). Elevado à categoria de município com a denominação de BURI, por Lei Estadual número 1805, de 1 de dezembro de 1921, desmembrado de Faxina. Sua instalação verificou-se em 25 de janeiro de 1922. Nomeado pelo Governador do Estado de São Paulo Dr Washington Luiz Pereira da Silva,o primeiro prefeito de Buri foi o Cel Licínio Carneiro de Camargo Filho ( Bebé de Camargo ) de 25 de janeiro de 1922 a 1925,quando foi sucedido por Geraldino Paiva. Com a chegada da Estrada de Ferro Sorocabana, inaugurada a estação de Buri em 4 de maio de 1908, o vilarejo ganhou notoriedade, pois grande parte das mercadorias destinadas para a região, eram ali descidas ou embarcadas, principalmente aquelas comercializados com a cidade de Capão Bonito, as quais eram transportadas em carroças de burros. A região Sudoeste Paulista no eixo Itapetininga-Buri-Faxina-Itararé, não atraiu a Marcha do Café, por causa de seu clima subtropical com ocorrências de fortes geadas e terras ácidas de cerrado, portanto posto a margem do desenvolvimento do restante do Estado de São Paulo. Durante a Revolução Constitucionalista de 1932, na localidade de Vitorino Carmilo, antiga estação da Estrada de Ferro Sorocabana distante a 6 km da cidade de Buri, ocorreu em 15 e 16 de agosto, o que alguns chamam de "a maior batalha da América do Sul", a Segunda Batalha de Buri, onde estavam, de um lado, 6 mil soldados federais de diversos Estados, e, de outro, 1.030 soldados constitucionalistas. No segundo dia, a linha paulista foi rompida e a estação caiu definitivamente em poder dos federais.

Nos primórdios da colonização das terras Burienses, somente a agricultura de subsistência era praticada. Com a chegada dos trilhos da Estrada de Ferro Sorocabana, e mais tarde nos anos 30 com a abertura dos ramais lenheiros houve intenso desmatamento para a retirada de grande quantidade de madeira (lenha) para o abastecimento das locomotivas a vapor. Nas áreas desmatadas foram introduzidas as primeiras lavouras comerciais, 1910 a 1950, destacando o cultivo de algodão, principalmente nas terras de culturas, ou seja , terras com topografia acidentadas onde após a retirada da melhor madeira, eram realizadas as queimadas e introduzidas as lavouras “plantadas no toco” ou lavouras de coivaras. No auge do ciclo do algodão no município de Buri ,a cidade contava com duas beneficiadoras descaroçadeiras de fibra de algodão. Tais máquinas algodoeiras pertenciam aos negociantes Antonio Martins de Figueiredo e Olímpio Antunes Nogueira, e realizavam a retirada da fibra, separando as sementes e impurezas, dando homogeneidade à pluma que era comercializada com as indústrias de tecelagens localizadas na cidade de Sorocaba. Foi grande a contribuição na agricultura dada pelos imigrantes refugiados europeus, chegados em Buri logo após o período da Primeira Guerra Mundial. Estes trouxeram os primeiros arados e ferramentas agrícolas já utilizados, na época, na Europa. Com o passar do tempo, essas terras foram degradadas devido a topografia acidentada, intenso uso e solos propensos a erosão, a fertilidade foi reduzida impossibilitando seu cultivo.

Com o incentivo governamental ao reflorestamento nos anos de 1960, o território Buriense foi “invadido” pelos plantios de pínus e eucaliptos. Por volta de 1970, foram iniciados os cultivos de milho e feijão em grande escala comercial, utilizando a calagem nas terras de cerrado, dando adeus aos “arados de burro” e a “tração animal”. Nos anos de 1990, a cultura do trigo foi introduzida em grandes áreas no município. Por volta do ano 2000, a cultura da soja chegou em grande escala, juntamente com máquinas e técnicas modernas.

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